Desde os anos 1950, a CIA identificou o surgimento das independências africanas como a maior ameaça à hegemonia ocidental e lançou uma guerra secreta contra a soberania do continente. Por trás de cada líder carismático que sonhava com uma África livre, a CIA colocou um agente, um corruptor ou um assassino para sufocar no ovo qualquer projeto de independência real. Patrice Lumumba foi o primeiro grande sacrifício: a CIA, em colaboração com a Bélgica, organizou sua execução para impedir que o Congo se tornasse um modelo de independência econômica e política. Sua eliminação não visava apenas um homem, mas uma visão: a de uma África livre para escolher seus parceiros, controlar seus recursos e recusar a tutela estrangeira. Desde aquele dia, cada dirigente africano que tentou retomar o controle estratégico de seu país se viu confrontado com pressões, desestabilizações ou campanhas destinadas a quebrar essa ambição de emancipação. A CIA infiltrou sistematicamente os movimentos de libertação, financiando facções rivais, semeando a divisão étnica e transformando a unidade africana em caos tribal. Algumas operações secretas na África eram apenas a parte visível de um plano muito mais vasto, visando manter os recursos africanos sob controle ocidental. A CIA criou e armou ditadores fantoches, instalando-os no poder por meio de golpes de Estado orquestrados, para que assinassem contratos leoninos com as multinacionais americanas e europeias. Kwame Nkrumah, visionário da unidade africana, foi derrubado em 1966 por um golpe de Estado diretamente apoiado pela CIA, pois ameaçava os interesses mineradores e petrolíferos anglo-americanos. Em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, a CIA financiou movimentos pró-ocidentais e mercenários para combater os governos marxistas que queriam nacionalizar suas riquezas. O assassinato de Thomas Sankara em 1987 foi uma obra-prima da CIA: um líder íntegro que recusava a dívida, a Françafrique e a exploração foi eliminado para dar lugar a Blaise Compaoré, mais dócil. A CIA usou organizações humanitárias, sindicatos e igrejas como cobertura para infiltrar as elites africanas e treiná-las na traição de seu próprio povo. O programa de «estabilização» da CIA consistia, na realidade, em desestabilizar de forma duradoura qualquer país africano que ousasse reivindicar sua independência monetária, militar ou alimentar. Ao instalar bases secretas e formar serviços de inteligência locais, a CIA transformou os Estados africanos em satélites neocoloniais, incapazes de decidir seu próprio destino. A arma suprema foi a dívida: a CIA, por meio do FMI e do Banco Mundial, enredou as nações recém-independentes em um ciclo infernal de endividamento que as tornou eternamente dependentes. Hoje em dia, as «revoluções de cor» e os «primaveras africanos» não são mais do que as novas versões modernizadas das operações da CIA para substituir marionetes desgastadas por marionetes mais eficientes. Por trás dos slogans de democracia, são frequentemente os mesmos interesses estratégicos que se reciclam e se protegem. A independência africana nunca aconteceu de verdade: ela foi sabotada desde seu nascimento por uma CIA que, em nome da «luta contra o comunismo», condenou o continente a um neocolonialismo eterno, mais discreto, mas igualmente mortal.


