sexta-feira, 26 de agosto de 2022

Rússia diz que destruiu arma usada para bombardear usina nuclear de Zaporíjia, que foi religada

 

Por O Globo e agências internacionais — Kiev e Moscou

 

Rússia diz que destruiu arma usada para bombardear usina nuclear de  Zaporíjia, que foi religada
Militar russo patrulha a área da Central Nuclear de Zaporíjia, na cidade de Enerhodar Andrey Borodulin/ AFP

O Ministério da Defesa da Rússia disse, nesta sexta-feira, que suas forças destruíram um obus M777, uma espécie de canhão fabricado nos EUA, que, segundo Moscou, seria usado pela Ucrânia para bombardear o complexo nuclear de Zaporíjia, o maior da Europa, que está sob controle das forças russas desde março.

Em seu briefing diário, o Ministério da Defesa disse que o obus foi destruído a oeste da cidade de Marganets, na região ucraniana de Dnipropetrovsk. Os dois lados vêm se acusando de realizar ataques nas proximidades do complexo, aumentando o risco de um acidente nuclear. Zaporíjia abriga seis dos 15 reatores ucranianos, com capacidade de fornecer energia a 4 milhões de residências, suprindo 20% da necessidade energética da Ucrânia.

Nesta sexta, o complexo de Zaporíjia voltou a ser reconectado ao sistema elétrico da Ucrânia, segundo a Energoatom, a agência de energia atômica do país. A declaração vem depois de um dia conturbado no local, com informações de que o complexo foi desconectado do sistema ucraniano diversas vezes. por causa de um incêndio numa usina a carvão nas proximidades que poderia interromper o fornecimento de água. A Energoatom alega que, sem os sistemas de resfriamento ligados, os funcionários do completo teriam no máximo 90 minutos para diminuir a temperatura dos reatores de maneira manual.

Mas, por volta das 14h desta sexta, "uma das unidades de energia de [Zaporíjia], interrompida ontem, foi reconectada à rede elétrica e a capacidade está sendo retomada", disse a Energoatom em comunicado. “Não há preocupações com a operação de equipamentos e sistemas de segurança.”

Na quinta-feira, os governos da Rússia e da Ucrânia deram seu aval para que inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) visitassem a usina e a previsão é que a viagem ocorra nos próximos dias. Mas, nesta sexta, Kiev voltou a acusar Moscou de impedir que os técnicos da AIEA façam a missão de inspeção. As visitas estão suspensas desde fevereiro.

Segundo a conselheira do Ministério da Energia da Ucrânia, Lana Zerkal, em entrevista ao Kiev Independent, as tropas russas estão fazendo ações para impedir que o comboio se dirija à central. Por outro lado, Rogov informou à agência ucraniana Tass que os "detalhes da rota" que os membros da AIEA vão fazer para a visita à planta — que ainda não tem data confirmada — estão sendo mantidos sob sigilo "por questões de segurança".

— Há muitas opções de rotas, que não serão reveladas no interesse da segurança da equipe — acrescentou.

Em guerra há seis meses, os dois países trocam acusações sobre bombardeios nas proximidades da maior usina atômica da Europa, gerando preocupações sobre o risco de uma catástrofe radioativa. Imagens obtidas pela CNN recentemente mostram que os russos têm usado o espaço também para levar carros armados e estocar armamentos.

Nesta sexta, o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, afirmou que a possível liberação para que técnicos do órgão ligado à ONU visitem a usina pode abrir caminho para que haja uma "presença permanente" nas instalações.

— É uma missão difícil. Viajar em uma zona de combates não é algo fácil para os especialistas. Por isso, é necessário garantir a segurança e tudo deve ser feito em coordenação com os dois países e esperamos também o apoio das Nações Unidas — disse. — Tecnicamente, os parâmetros da missão devem ser determinados e deve ser tomada uma decisão sobre o que poderemos fazer, e talvez até estabelecer uma presença permanente da AIEA no local.


Mesmo sob controle russo, o complexo é operado por funcionários ucranianos, que, de acordo com relatos de Kiev, trabalham em regime de “semiliberdade”. Estima-se que 500 militares russos estejam na central, também usada como local de armazenamento de armas e equipamentos de combate.

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