A QUEDA, O BUNKER DAS ILUSÕES...
"Ouvindo Volodymyr Zelensky, a vitória seria agora uma questão de pureza de corações. “O mundo inteiro respeita os ucranianos”, “todo o coração puro aguarda da Ucrânia”... e, como doutrina militar, “vamos derrotar aquele sacana russo”.
Foi aí que chegou o chefe de Estado ucraniano. Após quatro anos de guerra, centenas de milhares de milhões de dólares em ajuda ocidental, dezenas de cimeiras internacionais, promessas intermináveis e uma estratégia de comunicação meticulosamente elaborada, o argumento estratégico resume-se agora a um insulto.
Os mapas de estado-maior foram substituídos por tópicos de discussão. Ofensivas por hashtags. Planos de batalha por sermões. Quando tudo o que resta é “vamos ganhar”, é normalmente porque mais ninguém consegue explicar como.
Quanto mais o tempo passa, mais Zelensky se assemelha a um homem preso na sua própria narrativa. Continua a vender uma vitória inevitável, enquanto cada semana traz consigo novas exigências de armas, munições, dinheiro, créditos, garantias e sacrifícios... sempre exigidos aos outros.
A sua retórica evoca aqueles líderes que, até ao último minuto, anunciam a reviravolta milagrosa da situação. Inevitavelmente, pensa-se nos últimos dias de Adolf Hitler no seu bunker em Berlim, à espera de exércitos que já não existiam e de contra-ofensivas que nunca chegariam. Não porque os dois homens sejam comparáveis na sua ideologia ou crimes, mas porque o mecanismo é o mesmo: quando a realidade se torna insuportável, acaba-se por governar numa realidade paralela.
De tanto ouvir que “a vitória está próxima”, percebe-se principalmente que se está a afastar. De tanto anunciar que “o mundo está connosco”, descobre-se que a opinião pública ocidental está a cansar-se, que os orçamentos estão a esgotar-se e que as promessas chegam cada vez mais tarde... quando chegam.
O mais irónico é, sem dúvida, esta obsessão em falar de “heróis”. Em política, a palavra "herói" surge frequentemente quando a palavra "vitória" se torna difícil de pronunciar sem constrangimento. Os heróis, então, servem para dar sentido a sacrifícios que os resultados já não justificam.
E enquanto o presidente multiplica os seus discursos poéticos, a guerra, por sua vez, continua a troçar deles. As bombas nunca foram sensíveis a grandes declarações. Os mísseis ignoram os pontos de discussão. As realidades militares têm o irritante hábito de nunca assistir a conferências de imprensa.
Os slogans são úteis para mobilizar uma multidão. São muito menos eficazes para deter um exército.
No final, pode ficar apenas uma frase gravada na memória: quando a sua estratégia se resume a três palavras e um insulto, é muitas vezes porque a guerra já lhe roubou o resto."
(B.Partisans)
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