Eis a importância de estudar geopolítica.
https://t.me/camaradamachado
Mackinder foi o pai da "teoria do Heartland", que diz que o controle da região que vai aproximadamente do leste europeu aos Urais garante o controle da Eurásia, por conseguinte da Ilha-Mundo (Europa+Oriente Médio+Ásia) e, portanto, do planeta.
Por quê? Recursos naturais quase infinitos, centralidade geoestratégica, potencial demográfico, viabilidade de integração infraestrutural, etc.
Apesar da Grã-Bretanha ter sido responsável pela queda da monarquia russa (através da maçonaria), ela imediatamente jogou seu apoio no lado "Branco" da guerra civil russa.
Por quê? O lado "Branco" era mais fragmentado (havia republicanos liberais, monarquistas tradicionalistas, monarquistas liberais, socialistas antibolcheviques, etc.) e, portanto, mais cooptável.
O próprio Mackinder foi enviado como emissário para a Rússia Meridional, comandada por Anton Denikin. O governo "Branco", em troca do apoio britânico, concordou em, após a vitória, tornar independentes a Rússia Branca, a Ucrânia, a Rússia Meridional (tudo de Rostov e Volgogrado para baixo, incluindo portanto Chechênia, Inguchétia, Ossétia do Norte, etc.), o Daguestão, a Geórgia, o Azerbaijão e a Armênia.
Em outras palavras, o apoio britânico aos "Brancos" não teria como finalidade retirar os bolcheviques do poder, mas cercar o território da Rússia "Vermelha" por pequenos Estados pró-britânicos hostis, e que estariam em conflito perpétuo com a Rússia "Vermelha", além de cortar o seu acesso ao resto da Europa Oriental e ao Mar Negro.
Trata-se, evidentemente, de um cordão sanitário construído a partir do "Rimland" como estratégia de contenção permanente que impediria a temida aliança entre Rússia e Alemanha, prioridade estratégica britânica desde a "Santa Aliança".
Na prática, como adendo, recordamos aqui que impedir a unificação continental europeia tem sido central para a geoestratégia britânica desde o período dos Habsburgos e que o "apoio" britânico a Portugal nunca teve outra finalidade além de, também, criar uma "Ucrânia" ibérica. O mesmo depois se aplicou à França, à Prússia, etc.
Esse projeto é, simplesmente, atualizado e ampliado quando os pais da geopolítica percebem o potencial da Rússia, o que só ocorre após as Guerras Napoleônicas.
Tudo isso parece familiar? Esses debates, conceitos e termos de exatos 100 anos atrás estão se repetindo hoje? Seria coincidência?
Mas a "Guerra da Ucrânia" começou em fevereiro de 2022, não? Como pode ser possível?
Esse conflito não é para defender a soberania e a democracia da Ucrânia contra o imperialismo russo de um Putin subitamente tornado louco?
Ou será que o que está acontecendo é fruto da megalomania globalista anglo-saxã de séculos que almeja dar um golpe de morte em uma das únicas barreiras restantes à dominação mundial atlantista, e que não se incomoda se o caminho estiver pavimentado com os ossos de ucranianos, baltos, poloneses, romenos, etc?
Conclusão: Estudem mais geopolítica, vejam menos televisão.

Comentários
Enviar um comentário