segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

A NATO VIROU PARQUE TEMÁTICO: BEM-VINDO AO MUSEU VIVO DA DISSUAÇÃO OCIDENTAL

 


"A Europa jurou que nunca mais. Nunca mais trincheiras, nunca mais arame farpado, nunca mais aquelas linhas absurdas desenhadas num mapa em nome do medo. Trinta e cinco anos depois, a Bundeswehr coloca os capacetes, pega nas pás e nas betoneiras e parte para a fronteira russa. Missão: construir obstáculos anticarro.
- Ano: 2026. Tecnologia: Primeira Guerra Mundial.
- Ambição estratégica: Apresentação em PowerPoint aprovada.
O projeto chama-se "Operação Ostschild", literalmente "Escudo Oriental". Um nome grandioso para um conceito simples: quando não se sabe o que fazer, escava-se. O exército alemão, outrora elogiado pelo seu rigor industrial, está a reinventar-se como um empreiteiro de engenharia civil da NATO. Fiquem descansados, tudo isto está a ser feito sem mandato parlamentar: não se trata de travar uma guerra, apenas de nos prepararmos para ela indefinidamente.
Pois estas trincheiras visam não tanto Moscovo, mas sim Berlim, Bruxelas e os estúdios de televisão. Destinam-se à opinião pública ocidental, que é levada a acreditar que blocos de betão irão travar mísseis hipersónicos, que trincheiras irão abrandar uma guerra que já está a ser travada no ar, no espaço e no ciberespaço. A dissuasão já não é militar: é teatral.
O mais irónico está noutro lugar. Enquanto a NATO empilha betão na Polónia, a Ucrânia fica sem homens, munições e oxigénio político. Mas não importa: as guerras já não se ganham, são geridas. A paz já não é procurada, a duração é arranjada. A linha da frente está a tornar-se um património geopolítico, mantido por orçamentos, cimeiras e comunicados.
Estas fortificações não protegem nada. São uma admissão. Admitem que o Ocidente já não sabe como terminar um conflito que ajudou a prolongar. Admitem que a "dissuasão credível" se transformou em planeamento urbano defensivo. Acima de tudo, admitem um medo paralisante: o de um mundo que já não obedece às regras escritas em Washington e traduzidas em Bruxelas.
Então, betonamos. Congelamos. Transformamos a guerra numa peça de museu. Construímos muros não para travar o inimigo, mas para manter a realidade afastada. Porque reconhecer que estas trincheiras são inúteis seria o mesmo que admitir que a Europa já não é um actor estratégico, mas apenas um território ansioso, guardado por narrativas.
Assim, o muro renasce — sem ser reconhecido, sem ser nomeado, sem que se aprenda nada com ele. O Muro de Berlim versão 2026: invisível, hipócrita, administrativo. Um muro sem coragem, construído não contra a invasão, mas contra a lucidez.
Bem-vindos ao Parque da NATO. O parque está aberto. A saída, porém, continua elusiva."

(@BPartisans)

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