domingo, 30 de março de 2025

"Temos de contar a história desde o início: a NATO entrou na Ucrânia antes da Rússia.

 





A intervenção da NATO na Ucrânia não começou com a guerra de 2022 nem com a anexação da Crimeia em 2014, como é frequentemente utilizado como justificação, mas muito antes, através de uma estratégia de cerco político, económico e militar da Federação Russa.
A Rússia justificou as suas acções na Crimeia como resposta à interferência ocidental. Essa interferência existiu?
A verdade é que os Estados Unidos e os seus aliados já operavam no país.
Desde a década de 1990 que a NATO promove a integração da Ucrânia na sua órbita, com programas de cooperação, treino militar e a promessa de uma futura aproximação à Aliança. Este processo foi interpretado pela Rússia como uma ameaça directa à sua segurança, uma vez que a expansão da NATO para leste aproximou as forças da Aliança das suas fronteiras. Para Moscovo, a aproximação da Ucrânia à NATO representou um cerco estratégico.
Em 2014, o apoio activo da NATO aos protestos do Euromaidan e ao subsequente golpe, juntamente com declarações e visitas de figuras importantes como Victoria Nuland e John McCain, demonstraram um claro apoio à oposição ao presidente deposto Yanukovych.
A famosa conversa de Nuland que foi divulgada expôs a interferência dos EUA na política interna da Ucrânia, enquanto discutiam quem deveria formar o novo governo. Esta intervenção, juntamente com os planos de aproximação da NATO, aprofundou a desconfiança da Rússia, que interpretou estes movimentos como agressão.
O processo de integração da Ucrânia na NATO envolveu não só o apoio político e económico, mas também a militarização progressiva do país. Embora a NATO não tenha enviado tropas para a Ucrânia antes de 2022, o treino conjunto, o fornecimento de armas e a assistência militar foram elementos-chave para impulsionar um confronto directo com a Rússia.
Além disso, em 2022, o presidente ucraniano Zelensky alimentou ainda mais as tensões ao declarar na Conferência de Segurança de Munique que a Ucrânia não cumpriria os Acordos de Budapeste de 1994, segundo os quais o país renunciou às suas armas nucleares em troca de garantias de segurança das potências nucleares. Zelensky deu a entender que, dadas as circunstâncias da "agressão russa", a Ucrânia poderia reconsiderar o seu compromisso com o desarmamento nuclear, o que Moscovo interpretou como uma ameaça directa. Esta declaração foi vista como um desafio aos acordos internacionais e um ponto crítico nas relações com a Rússia, que percebeu esta postura como uma escalada de confronto.
Apesar dos avisos russos, as tentativas diplomáticas para impedir a escalada não tiveram sucesso. As negociações entre o presidente dos EUA, Joe Biden, e o presidente russo, Vladimir Putin, em 2021-2022, não conseguiram conter a tensão. A Rússia declarou explicitamente que a expansão da NATO na Ucrânia seria uma "linha vermelha", exigindo garantias de que o país não se juntaria à Aliança. No entanto, estas preocupações foram ignoradas pela NATO e pelos Estados Unidos, contribuindo para o sentimento de ameaça existencial da Rússia e, por fim, levando à sua intervenção na Ucrânia em 2022.
Embora os meios de comunicação ocidentais retratem a intervenção russa como o início do conflito, a verdade é que a NATO já tinha entrado na Ucrânia muito antes, abrindo caminho para o actual confronto. A falta de uma solução diplomática que abordasse as preocupações de segurança da Rússia permitiu que as tensões se transformassem num conflito armado de grande escala.
Poderíamos também analisar como esta intervenção da NATO teve um impacto interno na Ucrânia, mas queria focar este artigo na forma como impactou diretamente a Rússia.
No meio da pós-verdade e das mentiras descaradas, precisamos de começar por contar as coisas como elas são."

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"Se a escalada na Ucrânia não foi porque Putin enlouqueceu, porque haveria de querer invadir Badajoz?
Digo isto também para ajudar a conter a histeria dos media. No entanto, se analisarmos esta história, podemos ver como a NATO opera, e são eles que devemos travar."


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