De Gaules : QUANDO A EUROPA TINHA LÍDERES COM HONRA E NÃO CORRUPTOS.
De Gaules
Quando era presidente, Charles de Gaulle considerava que o dinheiro público devia ser estritamente intocável. No Palácio do Eliseu, era impensável que o Estado assumisse a menor despesa pessoal. Sua esposa, Yvonne de Gaulle, mantinha um pequeno caderno no qual anotava com rigor todas as despesas do lar: eletricidade, comida, roupas, sabão… nada era deixado ao acaso. Todo mês, o casal enviava um cheque ao Tesouro Público para reembolsar essas despesas estritamente privadas. Um dia, o contador do Eliseu lhe fez notar que isso «não era necessário». Ela respondeu com firmeza: « Tudo o que não é público é privado, e o que é privado, cabe a nós pagar. » Sua exigência ia ainda mais longe: seus filhos e netos não tinham o direito de usar os carros oficiais para deslocamentos pessoais. Charles de Gaulle recusava os privilégios ligados à sua função. Ele mesmo regulava todas as suas despesas no Eliseu — até o sabão ou as refeições em família — e havia até escolhido renunciar ao seu salário presidencial, vivendo unicamente da sua pensão de general. À sua morte, ele não deixou nenhuma fortuna, apenas sua casa em Colombey-les-Deux-Églises, adquirida antes da guerra. Conta-se até que ele enviava espontaneamente cheques ao Tesouro Público assim que existia a menor dúvida sobre uma despesa privada paga pelo Estado. Um senso de integridade e dever que ainda hoje força o respeito… e que lembra que o verdadeiro prestígio não reside nos privilégios, mas na exemplaridade.
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