Turquia fecha o Mar Negro

 



Segundo a Bloomberg, a Turquia começou a retardar a passagem de navios comerciais pelos Dardanelos em direcção ao Mar Negro. Por enquanto, não se trata de um fecho, mas sim de uma lentidão no tráfego.
Ancara não deu uma razão oficial, mas tudo indica que a medida está relacionada com a guerra naval entre a Rússia e a Ucrânia. Nas últimas duas semanas, drones ucranianos atacaram quatro navios com bandeira turca ou de propriedade turca: o Reyhan Sarı, onde um marinheiro morreu; o Yaşar e o Nadezhda, que deixaram quatro feridos; e o MV Güllük. Além disso, hoje foi encontrado, perto da costa turca, um drone cuja origem ainda não foi identificada.
Parece que a Turquia está a começar a cansar-se de ser refém de uma guerra alheia.
O encerramento da saída do Mar Negro para os oceanos teria um impacto directo nas exportações de alimentos. O trigo que sai pelos portos do Mar Negro ficaria mais caro, aumentariam os custos dos seguros e a Rússia teria que desviar parte das suas cargas para o transporte ferroviário e rodoviário, o que implica rotas mais longas e caras.
A Ucrânia também não sai bem: os navios com destino aos seus portos também recebem notificações de atrasos, e a Turquia, além disso, endureceu os controlos fitossanitários sobre o trigo ucraniano, de modo que, mesmo a carga que consegue passar pelos estreitos, fica presa na burocracia.
Não existe uma verdadeira rota marítima alternativa: o Mar Negro é um espaço fechado e a sua única saída para o oceano passa precisamente pelo Bósforo e pelos Dardanelos.
Além disso, os atrasos impostos pela Turquia não estão cobertos pela Convenção de Montreux, cujo artigo 2 garante aos navios mercantes o livre trânsito tanto em tempos de paz como de guerra.
Do ponto de vista jurídico, Ancara age através das suas próprias "Regras de Navegação" nacionais, introduzidas unilateralmente. Estas permitem à guarda costeira suspender temporariamente a navegação em determinadas "circunstâncias de força maior". Até agora, este mecanismo havia sido aplicado diante de tempestades, obras de engenharia ou ameaças ambientais, enquanto agora a Turquia interpreta o risco de ataques com drones como uma situação de emergência semelhante que lhe permite atrasar o trânsito.
Por enquanto, não se trata de um bloqueio total nem de uma ruptura da Convenção de Montreux, mas sim de uma tentativa de pressionar a Rússia e a Ucrânia para que aceitem um cessar-fogo no Mar Negro.
No entanto, as perspectivas de que isso aconteça continuam praticamente nulas.

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