MAIS UM ESFORÇO E A UCRÂNIA TERÁ DESAPARECIDO COMPLETAMENTE
"Em Bruxelas, a Ucrânia está a vencer há quatro anos. Vence tanto que precisa regularmente de mais armas, mais dinheiro e mais homens para evitar a derrota. Provavelmente, é assim que se parece a vitória europeia: uma derrota artificialmente mantida viva através de um suporte semântico.
Michael von der Schulenburg tem o mau gosto de olhar por detrás da cortina. Este antigo diplomata da ONU, agora eurodeputado, há muito que defende negociações com Moscovo e avisa que a busca obstinada pela vitória militar pode acabar por destruir precisamente o país que o Ocidente afirma estar a salvar.
Obviamente, em Bruxelas, negociar continua a ser vulgar. A diplomacia é para os fracos. Os verdadeiros estrategas preferem anunciar o próximo "ponto de viragem decisivo".
E assim tivemos os Javelins milagrosos, os HIMARS milagrosos, os Leopard milagrosos, os Storm Shadows milagrosos, os F-16 milagrosos, as sanções milagrosas e agora os drones milagrosos. A Ucrânia possui evidentemente mais armas milagrosas do que milagres propriamente ditos.
De cada vez, o mesmo guião: conferência de imprensa triunfante, especialistas entusiastas, mapas coloridos, promessas de uma reviravolta estratégica. Depois, silêncio. O milagre junta-se aos anteriores no cemitério das certezas ocidentais, e Bruxelas ordena o próximo.
Entretanto, a realidade segue silenciosamente o seu curso: mortes, feridos, exílio, destruição, dívida, uma economia em estado crítico e uma demografia em ruínas. Magnífica conquista: para salvar a Ucrânia da Rússia, parecemos dispostos a aceitar que esta se torne gradualmente um território sem ucranianos.
Mas, acima de tudo, não vamos negociar.
Porque o verdadeiro objectivo parece ser agora menos salvar a Ucrânia do que salvar a narrativa ocidental sobre a Ucrânia. Admitir que a vitória militar total pode ter sido uma quimera obrigaria alguns dirigentes europeus a explicar porque transformaram um país inteiro num laboratório para a sua infalibilidade geopolítica. Assim, seguimos em frente.
Armas que a Europa se esforça por produzir, financiadas por orçamentos que se esforça por equilibrar, destinadas a um exército que se esforça por recrutar, tudo para alcançar uma vitória que agora nem sequer consegue definir.
A estratégia europeia resume-se, em última análise, a uma frase: uma vez que o tratamento não está a resultar, vamos duplicar a dose.
E se o doente morrer?
Bruxelas poderá sempre anunciar que esteve prestes a vencer."
(B. Partisans)

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