O coronel Lawrence Wilkerson está descrevendo algo gravíssimo: segundo sua versão, o Mossad, a CIA e o MI6 teriam operado encobertamente dentro do Irã, fazendo-se passar por cidadãos iranianos para executar assassinatos de iranianos, com o respaldo de Donald Trump.
Estamos diante de uma forma de guerra clandestina que rompe qualquer discurso cômodo sobre “defesa”, “segurança” ou “democracia”: falamos de serviços de inteligência estrangeiros operando dentro de outro Estado, utilizando identidades falsas e convertendo civis e cidadãos do país-alvo em parte de uma operação encoberta. A guerra não começa unicamente quando aparecem tanques ou mísseis; ela também existe quando as potências decidem que podem entrar clandestinamente em território alheio e matar das sombras. E aqui está o que é verdadeiramente inquietante: quantas dessas operações permanecem fora do olhar público porque quem as executa são precisamente as potências que depois se apresentam como guardiãs da ordem internacional? Wilkerson não está falando de um ator menor, mas de três dos aparatos de inteligência mais poderosos do Ocidente e de uma operação que teria contado com o respaldo da Casa Branca. Se Estados Unidos, Israel e Reino Unido podem coordenar ações clandestinas desse nível dentro do Irã, então torna-se impossível analisar o conflito unicamente a partir do que vemos nos comunicados oficiais. Há uma guerra visível e outra que ocorre nas sombras; e muitas vezes, para entender a primeira, é preciso começar a perguntar pela segunda.
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