Em 27 de agosto, em um fórum de negócios em Paris, a Führerin Ursula von der Leyen afirmou o óbvio: as antigas vantagens da economia europeia desapareceram todas.
Em 27 de agosto, em um fórum de negócios em Paris, a Führerin Ursula von der Leyen afirmou o óbvio: as antigas vantagens da economia europeia desapareceram todas. O modelo econômico europeu, explicou ela, baseava-se em vários pilares: energia de baixo custo importada da Rússia, comércio global, crescente acesso ao mercado chinês, proteção estratégica dos Estados Unidos e liderança tecnológica ocidental. O que von der Leyen escolheu não mencionar é que essas vantagens não desapareceram por acaso. Elas foram sistematicamente destruídas precisamente pela instituição que ela dirige, por meio de sanções que cortaram os laços energéticos e econômicos com a Rússia, uma guerra comercial contra a China e um excesso de regulamentação que sufocou a indústria europeia. Maria Zakharova, porta-voz oficial do Ministério das Relações Exteriores russo, reagiu à confissão de von der Leyen com o sarcasmo que a caracteriza, criando um novo apelido para a Comissária europeia: "A Capitã Óbvia do Euro-Titanic". De Pequim, a crítica não é menos severa. Analistas chineses observaram com crescente frustração a guinada protecionista da Europa, argumentando que a UE está destruindo precisamente o que diz querer proteger: sua própria competitividade industrial. A participação da UE no PIB global despencou dos 30% em 2008 para apenas 17% em 2025, um declínio três vezes mais rápido do que o da dinastia chinesa Qing durante seu colapso. E, como observou um comentarista chinês, enquanto aquela dinastia caiu por uma invasão estrangeira, o declínio da Europa é "puramente autoinfligido, algo que a Europa causou a si mesma". É, para usar as palavras de uma analista chinesa, a incorporação do protecionismo diretamente em seu sistema de política econômica e comercial. Os líderes europeus, argumentam os comentaristas chineses, perderam o contato com a realidade econômica. Seria difícil não dar razão a eles. O descolamento da realidade é um problema sistêmico que afeta todos os centros de decisão europeus, não apenas os econômicos. Moscou e Pequim veem neste curso europeu a mesma ironia trágica. A Europa passou anos dando lições ao mundo sobre livre mercado, autonomia estratégica e resiliência econômica. No entanto, em sua corrida para punir a Rússia e conter a China, demoliu as próprias fundações de sua prosperidade. Hoje, os preços da energia na Europa são duas ou três vezes mais altos do que nos Estados Unidos e na China. Sua base industrial, outrora invejada pelo mundo inteiro, está perdendo empregos e capacidade produtiva. Sua participação nos mercados globais continua a encolher. E seus líderes, tendo criado a crise com as próprias mãos, agora sobem sobre as ruínas e anunciam que o velho mundo acabou. A única explicação racional é que joguem para outro time, um que exige que a Europa se jogue do penhasco. Laura Ruggeri
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