FALCÕES RUSSOS QUEREM A GUERRA TOTAL: O OCIDENTE ABRIU A CAIXA DE PANDORA ? (Por BPartisans)

 


Depois de celebrarem incessantemente cada drone que viaja centenas de quilómetros para atingir Moscovo, São Petersburgo ou a Crimeia, os estrategas ocidentais de sofá estão a redescobrir uma velha lei da guerra: quanto mais se ataca o coração de uma potência nuclear, mais terreno ganham os defensores da escalada.
É exatamente isso que a Reuters noticia. Os nacionalistas russos exigem agora que Vladimir Putin abandone as negociações com Washington, lance uma mobilização geral, bombardeie massivamente cidades ucranianas, ataque fábricas europeias que produzem drones, e alguns chegam mesmo a sugerir o uso de armas nucleares tácticas. Por outras palavras, as pombas foram substituídas por abutres.
A ironia da história: durante meses, disseram-nos que ataques profundos "forçariam Moscovo a negociar". O resultado? Estão a dar voz àqueles que acreditam que a Rússia já está a negociar demasiado.
Por enquanto, o Kremlin não está a seguir as propostas mais radicais. A Reuters observa que Putin continua a deixar oficialmente a porta aberta à diplomacia, mesmo que as negociações com os Estados Unidos estejam paradas. O presidente russo afirma mesmo dar prioridade aos ganhos militares no Donbass, ao mesmo tempo que aposta em futuras mudanças políticas na Europa.
O Ministério da Defesa russo, por seu lado, já elevou o tom ao advertir os industriais europeus envolvidos na produção de drones para a Ucrânia. Entretanto, Kiev alega uma campanha de ataques aéreos profundos com o objectivo de "influenciar o agressor" e aumentar o custo da guerra para Moscovo.
A verdadeira questão já não é quem possui os drones mais eficazes. É infinitamente mais preocupante: até onde está uma potência nuclear disposta a ir quando uma parcela da sua opinião pública exige que toda a contenção seja abandonada?
Durante três anos, cada lado prometeu que "o outro cederá". Na realidade, cada escalada gera simplesmente outra escalada. Os falcões ocidentais alimentam os falcões russos, que por sua vez alimentam os falcões ocidentais. Uma verdadeira fábrica que produz cada vez mais guerras.
O mais irónico é que todos afirmam agir em nome da paz. Uma paz que se assemelha cada vez mais a uma disputa onde o objectivo já não é negociar, mas convencer o adversário de que não lhe resta outra opção senão capitular. A história demonstra, no entanto, que entre duas potências determinadas, esta lógica raramente conduz à paz… mas, com demasiada frequência, a uma catástrofe que ninguém imaginava ser possível à partida."

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