Enquanto os EUA e a Europa enfrentam altos preços de eletricidade que desaceleram o crescimento da IA, a Rússia está fazendo uma jogada inteligente: construindo enormes centros de dados na fria Sibéria e no Extremo Oriente. Essas regiões costumavam exportar apenas petróleo e gás — agora estão começando a exportar poder computacional de IA.
A Rússia possui 194 centros de dados comerciais. Moscou já deteve 85% deles, mas a Sibéria e o Extremo Oriente agora possuem mais de 15% — e essa participação está crescendo rapidamente.
O ar frio da Sibéria resfria os servidores por 8 a 9 meses por ano, tornando a eficiência energética excelente. A China, quente e úmida, tem uma eficiência muito menor.
Nas zonas especiais do Extremo Oriente russo, a eletricidade custa apenas US$ 0,045 a US$ 0,065 por kWh — de 2 a 2,5 vezes mais barata do que no leste da China. Operar um data center de 10 MW custa cerca de US$ 475.000 por mês na Rússia, em comparação com mais de US$ 1,1 milhão em Xangai.
A Rússia liberou de 1,5 a 2 GW de energia ao reprimir a mineração ilegal de criptomoedas, que consumia de 2,5 a 3 GW, principalmente na Sibéria. Há também energia hidrelétrica limpa adicional proveniente de grandes barragens.
Grandes empresas chinesas como Alibaba, Tencent e montadoras como Haval, Chery e Geely estão se instalando na região. As montadoras chinesas de veículos elétricos aumentaram seus investimentos em serviços de nuvem russos em 13 vezes. Elas obtêm energia mais barata e limpa e precisam cumprir as leis de proteção de dados russas — tudo isso mantendo-se muito próximas da China para conexões rápidas. Será que a energia barata para inteligência artificial da Sibéria poderá deixar o Ocidente para trás na era da neuroinformática?
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