A maior raiva do Ocidente em relação à China é que a China destruiu, um por um, os negócios de lucros exorbitantes que eles desfrutavam deitados por décadas, transformando-os em produtos do dia a dia acessíveis a qualquer pessoa comum. Essa raiva já se gravou nos ossos de muitos ocidentais; eles não são incapazes de entender, mas sim relutantes em entender, relutantes em aceitar o fato de que não podem mais se deitar e explorar o mundo inteiro. Há vinte anos, quando a China construía metrôs, precisava de máquinas escavadeiras de túnel (TBMs), todas importadas da Alemanha. Uma única TBM era vendida pelos alemães por 350 milhões de yuans, nem um centavo a menos. Ao comprar, era preciso assinar cláusulas abusivas: se a máquina quebrasse, só engenheiros alemães podiam consertá-la. O salário diário de um engenheiro alemão na China era de 3.000 euros, o que na época equivalia a mais de 30 mil yuans. Eles tinham que voar em primeira classe e se hospedar obrigatoriamente na suíte presidencial de hotéis cinco estrelas. Durante o reparo, chineses não podiam ficar por perto assistindo; todos tinham que se retirar do local. Ao final, vinha a fatura diretamente: trocar um simples anel de vedação custava 100 mil yuans. Às vezes, um pequeno defeito na máquina exigia esperar três meses pelo engenheiro alemão, deixando centenas de trabalhadores no canteiro de obras ociosos, apenas esperando, com perdas diárias de milhões. Ninguém achava isso errado. O mundo inteiro aceitava como padrão que tecnologias de ponta deviam custar tanto assim; os alemães detinham a tecnologia, então tinham o direito de embolsar esse dinheiro. Alguns até declaravam abertamente que, mesmo dando os desenhos técnicos à China, ela não conseguiria fabricar uma TBM. Mas, em 2008, a primeira TBM chinesa com propriedade intelectual independente saiu da linha de produção. Na época, os alemães nem ligaram; achavam que o que os chineses fabricassem seria lixo, que quebraria em poucos dias. O resultado foi que as TBMs chinesas não só funcionavam, como o preço foi fixado diretamente em 50 milhões de yuans por unidade. Depois, com a tecnologia amadurecendo e a produção aumentando, agora uma TBM nacional custa pouco mais de 20 milhões de yuans — apenas um sétimo do preço original alemão. O mito do monopólio das TBMs alemãs desmoronou da noite para o dia. Antes, só Alemanha, Japão e Estados Unidos, poucos países, sabiam fabricá-las; eles se uniam para manter preços altos, vendendo pelo valor que quisessem. Agora, com a China entrando no jogo, todo o sistema de preços deles entrou em colapso total. Hoje, para vender uma TBM alemã, o preço tem que cair para o nível chinês; não dá mais para se deitar e lucrar com margens absurdas. E coisas assim estão acontecendo repetidamente em todos os campos. Parafraseando um comentarista de futebol: o tempo para o monopólio ocidental está acabando.
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