Relativamente à abstenção da China e da Rússia na resolução da ONU sobre a Palestina: A imaturidade política de tantos analistas e jornalistas que cobrem eventos geopolíticos tem sido evidente nos últimos anos.
Relativamente à abstenção da China e da Rússia na resolução da ONU sobre a Palestina:
A política internacional não pode ser interpretada através de reações emocionais ou moralizações imediatas. Para compreender isto, é necessário examinar o equilíbrio global de poder, e não apenas um gesto isolado.
A abstenção foi uma manobra estratégica, uma forma de ganhar tempo enquanto a ordem multipolar, ainda em construção, se consolida.
O que acontece no mundo não é meramente simbólico, como os jornalistas ou analistas amadores o concebem a partir dos seus computadores ou telemóveis; existe uma vida real, um terreno material onde importam as rotas comerciais, a energia, as armas, a logística e a proteção diplomática. Muitos países em desenvolvimento só conseguem manter a sua soberania e resiliência graças ao apoio concreto, e não retórico, que recebem da China e da Rússia. Por isso, gestos impulsivos ou moralistas podem ter consequências graves.
A abstenção não foi uma renúncia, muito menos indiferença, ao que se passa na Palestina, mas uma táctica para evitar um confronto prematuro com o Ocidente. Porque isso poderá impedir a continuidade da construção das bases que permitirão, no futuro, uma verdadeira libertação, e não apenas uma declarativa e nominal.
@enplena_luz
____
Comentários
Enviar um comentário